quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Grandes Aberturas - Super Sentai 1

Meio difícil postar vídeos aqui no blog, já que todos os anteriores, como se pode perceber, foram deletados por razões de "copyrights". Mas vamos pelo menos tentar mais alguns daqui pra frente, com essa série de grandes aberturas. Aos poucos vou divulgando as minhas aberturas de tokusatsu preferidas, divididas por gênero. Vamos começar com o Super Sentai.
Battle Fever J, de 1979, foi na minha opinião a primeira grande abertura de Sentai. Vamos nessa!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Kamen Rider ZX

Assim como tinha sido com o ZO, o Kamen Rider ZX é outro que estava ainda sem artigo na Wikipedia. Por isso, é obrigação que parte desta matéria vá para a enciclopédia, até mesmo porque agora eu estou falando de um de meus Riders preferidos em todos os tempos.
É mesmo difícil concorrer com o Black, que parecia completo em tudo: tinha um apelo emocional forte, um protagonista carismático (Issamu Minami), sua história seguia à risca os ideais principais do criador Shotaro Ishinomori, etc. Mas eu vejo o ZX como um forte candidato a ter sido ainda melhor, mas claro, isso se ele tivesse sido uma série. Mas aqui estamos falando de um filme nos mesmos moldes do J e do ZO, com cerce de 45 minutos, e que não teve continuação. Para mim foi o Rider "sem série" que mais merecia uma, principalmente pela atuação milagrosa do ator protagonista, Shun Sugata. É nos detalhes pequenos que podemos ver o quanto Sugata incorporou o personagem Ryo Murasame/Zx. Suas expressões faciais são absurdamente involuntárias, e ainda mais, sua expressão corporal, como se pode ver nos dois momentos de seu henshin que há no filme, é tão poderosa que faria de qualquer bailarino clássico profissional uma mera peça de museu.















A performance incrível de Shun Sugata como ZX apenas reforçou seu currículo como um dos maiores atores japoneses da história. Ainda iria trabalhar em filmes como Kill Bill e O Último Samurai.

Produzido em 1984 pela Toei Company, o filme do ZX é uma síntese impecável de tudo o que a marca Kamen Rider tinha produzido até então. Eu o assisti por várias vezes sem cansar, e recomendo demais para todos os fãs de Kamen Rider, apesar de hoje em dia ser difícil encontrá-lo na internet. Para mim também teve um outro atrativo muito emocionante, que foi a oportunidade de ver integralmente, de uma forma resumida, o trabalho bonito que o Ishinomori fez antes de eu nascer.
O nome oficial do filme é "Nasce o 10º! Todos os Kamen Rider juntos!!". O décimo, no caso, é o ZX, que se une aos nove anteriores_ Kamen Rider 1 e 2, Kamen Rider V3, Riderman, Kamen Rider X, Kamen Rider Amazon, Kamen Rider Stronger, Kamen Rider Skyrider e Kamen Rider Super 1_ para viverem uma única aventura.
A história começa na floresta amazônica, onde correm rumores de terem sido vistos Ovnis na região. Shizuka Murasame é repórter e quer investigar o caso. Vai para lá junto de seu irmão Ryo, que é piloto de avião. Enquanto sobrevoavam a região, os irmãos são abatidos por um raio de uma estranha nave, e em seguida capturados com vida pelos membros de uma organização conhecida como Império Badan. O grupo decide matar Shizuka e modificar o corpo de Ryo para transformá-lo no novo guerrreiro-ciborgue de Badan. Ryo se esquece de suas origens após ser submetido a uma lavagem cerebral e se torna o guerreiro ZX de Badan. Dentro da organização faz amizade com outro humano-ciborgue, Eisuke Mikage, o monstro Tiger Roid. Ambos são considerados os principais trunfos de Badan em suas ambições de dominação mundial e na futura guerra contra os nove Kamen Riders.











Uma das imagens da abertura: uma das melhores e mais empolgantes dos Riders da Era Showa.

Um dia, enquanto trabalhava como motorista para Badan, Murasame sofre um grave acidente e recupera a memória. O império decide matá-lo, mas ele consegue escapar. Quando descobre que, além de ter sua irmã assassinada, teve seu corpo modificado, Murasame passa a querer se vingar sozinho de Badan e de seu líder, o comandante Kuraiyami Taishi.
Badan também capturou um grupo de cientistas encabeçados pelo professor Itou, para que criassem um sistema de teletransporte dimensional. A cada vez que era utilizado, esse equipamento gerava uma perigosa energia capaz de desintegrar prédios, veículos e até pessoas. Assustados com a terrível ameaça, o professor e seus assistentes tentam fugir, mas também são mortos por Badan.
A essa altura, a organização já dispunha de todos os meios para continuar sozinha com seus planos. Faltava apenas se equipar com o Badanium 84, uma substância química utilizada na fabricação da energia que movia seu sistema dimensional. Nesse momento, os nove Kamen Riders se espalham por diversos pontos estratégicos e conseguem interceptar vários caminhões com soldados de Badan que transportavam carregamentos da substância. Na sequência, surge pela primeira vez Kamen Rider ZX, que ainda não conhece os anteriores e por isso enfrenta Riderman e Kamen Rider Super 1 pensando que se tratavam de outro guerreiros de Badan.








Os dez reunidos: trabalho irrepreensível antes que eu nascesse.

Feitas as devidas apresentações e com os dez Riders unidos, o foco restante do filme passa a ser o confronto final com os membros de Badan. Nessa etepa, cada Kamen Rider se mostra fundamental à sua maneira, sendo que cada um possui poderes diferentes que ajudaram em determinados momentos de luta. Mas caberá a ZX, como protagonista da história, ser o principal nome para tentar desmantelar de vez o Império Badan.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Kamen Rider ZO

Confesso que foi difícil escolher, no meio de tanta coisa, o que seria o assunto neste meu retorno. Optei inicialmente por um Rider, pela vontade de continuar com esse sonho de falar um pouco sobre todos eles (apesar de agora parecer um sonho distante). E em segundo lugar pelo Kamen Rider ZO porque, para a minha surpresa, ele AINDA não tinha uma versão em português na Wikipedia. Como eu assisti todo o filme e consegui fazer esta resenha, posso colocar parte do que eu publico aqui lá na enciclopédia eletrônica, como eu já tinha feito com o Black e o RX, alcançando também os fãs de tokusatsu que não conhecem meu blog.


O Kamen Rider ZO não foi uma série, e sim um filme, de cerca de 45 minutos e com uma única história, assim como tinha sido com o J, o último Rider que vimos por aqui. Produzido pela Toei um ano antes, em 1993, marcou o início da parceria da empresa com a Bandai, fabricante japonesa de brinquedos e jogos eletrônicos. Foi aparentemente um dos primeiros tokusatsu a utilizar recursos de computação gráfica na animação de algumas cenas, ainda que timidamente.


A história

Nos confins de uma floresta selvagem, Masaru Aso desperta ao som da música de um relógio de bolso, repetindo para si mesmo o que seria uma mensagem telepática, com um estranho apelo para que potegesse "Hiroshi".

Masaru corre desesperado para a casa do professor Mochizuki, com quem já havia trabalhado junto, ajudando-o em alguns experimentos científicos, mas só encontra o senhor Sekichi, pai do professor e também inventor atrapalhado, responsável pelos (raros) trechos cômicos do filme. De um outro lado, o garoto Hiroshi Mochizuki, filho do professor, está voltando para casa na companhia de seus colegas de escola. Mal se separa deles quando se vê perseguido por um estranho artefato voador, de formato circular, parecendo ser de latão. Assim que Hiroshi corre assustado, o artefato se abre e se contorce até tomar uma outra forma. Tal objeto é agora o monstro Doras, que causa muita destruição na cidade até capturar seu alvo preferencial: o próprio menino.












Visão do Monstro Doras, uma das formas do Neo-Organismo.


Com Hiroshi nas mãos, o monstro só é parado com a primeira aparição do Kamen Rider ZO, com quem trava batalha. ZO aparentemente derrota Doras com a ajuda de sua moto, enquanto o menino foge. Mais tarde o herói, já como Masaru Aso novamente, usa sua capacidade sobrehumana de audição para escutar, a metros de distância e entre as paredes, o relato do menino ao seu avô.

À sua maneira, Hiroshi conta ter sido atacado por um monstro e visto mais outro, com aparência de gafanhoto, aparecer logo depois com sua moto. Hiroshi ainda se irrita com o avô, que não acredita nele, e no meio da discussão Masaru se admira ao escutar que o pai do menino (o mesmo cientista com quem trabalhou junto) estava há tempos desaparecido. Masaru aparece na frente de ambos, numa tentativa de falar com Hiroshi, mas o menino, ainda assustado e estranhando Masaru, corre para a irmã. Nesse momento o avô, Sekichi, sente já ter visto o rosto de Masaru em algum lugar, e encontra uma foto do moço num caderno em meio às coisas do filho. Lá estavam anotações de um de seus experimentos científicos, e a confirmação de que Masaru foi cobaia do professor ao ser cibernizado com um simples gafanhoto. O professor buscava com isso criar uma forma de vida perfeita, mais forte, resistente e sem emoções.


Neo-Organismo, uma experiência do mal

Tal procura deu origem também ao vilão da história, conhecido como Neo-Organismo. Quando esse tipo de forma de vida deixou de ser apenas uma experiência e saiu do controle do professor Mochizuki, passou a se transformar no monstro Doras, aprizionou Mochizuki e passou a perseguir e ameaçar seu filho, para com isso forçar o professor a continuar a sua evolução. O professor se negava por temer que o Neo-Organismo, com seu complexo de deus, viesse a exterminar o resto da humanidade, mais frágil, emotiva e imperfeita.

Quando não estava na forma de Doras, o Neo-Organismo assumia um formato até um pouco semelhante ao próprio Hiroshi, sendo cabeça e braços de menino mergulhados numa espécie de piscina, envoltos por um líquido verde e pegajoso_ seu fluído de vida e fonte ne energia. Em alguns momentos até mesmo chamou o professor de pai e Hiroshi de irmão.







O Neo-Organismo em uma de suas formas assustadoras: semelhanças com Hiroshi.


Pela primeira vez na história da franquia Kamen Rider o vilão não era um invasor espacial ou organização secreta do mal. O Neo-Organismo inovou por ser apenas um experimento científico que não deu certo, e será ao longo de todo o filme o único inimigo para ZO.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Filme: Dolls

DOLLS (Japão, 2002). Direção: Takeshi Kitano. Com: Miho Kanno, Hidetoshi Nishijima, Kyoko Fukada.


Ontem eu assisti Dolls, filme que eu queria há tempos assistir, desde que tive contato com a ótima trilha sonora, em meados de 2004. O enredo é fortemente baseado no tradicionalíssimo teatro Bunraku japonês, uma das formas de dramaturgia mais antigas que ainda existem nos dias de hoje.


O diretor Takeshi Kitano obteve raro sucesso em relacionar os bonecos do teatro e suas máscaras com os seus personagens, como se cada um fosse assim eles próprios os bonecos. A história está dividida em três focos. No primeiro, a garota Sawako tenta se matar quando o noivo Matsumoto cede a uma vontade do pai, em casar-se com a filha de um importante empresário. Ao saber que Sawako tinha sido internada num sanatório com lesões na consciência, Matsumoto abandona a cerimônia e passa a cuidar da garota que realmente ama. Com uma corda amarrada na cintura de ambos, percorrem cenários impressionantes, sem um rumo definido.


Essa primeira história será visivelmente a mais trabalhada, até mesmo porque é ligada diretamante com o teatro apresentado nos primeiros minutos do filme. Porém, as outras duas paralelas coexistem sem nenhum traço de estarem sobrecarregando o enredo. Numa, a namorada espera há anos o retorno do namorado para o almoço de sábado, indo toda semana ao parque com a marmita e reservando-lhe o lado num banco de jardim, onde existe uma surpresa que é reservada só para o espectador. Na outra, um fã incondicional de uma pop-star (uma das manias no Japão moderno) está com várias fotos da cantora na sua frente, quando resolve que o rosto dela é a última coisa que deseja ver. Assim sendo, ele trata de se cegar com um estilete.



Trabalho puramente moderno, o filme de Kitano pode ser facilmente comparado com uma composição musical de primeira linha, onde a transformação guia o desenvolvimento. Há tempos não me dava tanta satisfação em assistir a um filme, e para mim ficou a impressão de que o cinema japonês é atualmente um dos mais artisticamente modernos do mundo.


O final de Dolls é exatamente como o final de uma composição moderna. Na música, antes tinhamos uma conclusão muitas vezes brilhante, em fortíssimo, e sempre com um acorde envolvendo as notas básicas usadas na mesma (o que se chama de dominante). Isso pode ser puramente comparado àqueles finais de filmes em que queremos ver (e vemos) o que acontece com os personagens principais do filme, ou seja, aqueles que, tal como as notas básicas da música, foram os mais recorrentes ao longo da película, os personagens "dominantes".

Mas nesse caso, vejam bem, a arte moderna dá o tom da vez. Se escutarmos uma peça de música do gênero, como por exemplo a Sonata 5 de Scriabin ou o "Scarbo" de Ravel, veremos que os seus finais não são uma conclusão derradeira, e sim apenas uma etapa a mais de uma série de transformações sonoras. Vejo isso como uma vantagem enorme, porque a música jamais irá acabar. Ela segue agora em silêncio, mas segue. O mesmo acontece no final de Dolls, sem exceções: o que acontecerá no final será só mais uma etapa na saga dos personagens. E que delícia de final! Tal como em muitas de minhas composições favoritas: súbito e que nos pega de surpresa. O filme não se conclui, porque quer continuar na imaginação de cada um. Ou seja: se a música moderna usa o silêncio como uma de suas ferramentas básicas, o mesmo faz Dolls, que só existe enquanto houver a imaginação daquele que o assiste.

Quem quiser assistir Dolls na íntegra, visite minha página pessoal no You Tube. Lá tem o filme completo, basta acessar o campo "Listas de Reprodução". Não percam!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Meus novos blogs

Vou fazer uma pequena propaganda por aqui, e convidar a todos para visitarem meus dois novos blogs, aqui mesmo no Blogger. Um deles, o World Football BlogSport, será dedicado a uma das minhas paixões, que é acompanhar as seleções de futebol ao redor do mundo, sempre dando meus comentários e pitacos. Pretendo recheá-lo futuramente com muitas curiosidades do mundo da bola. E o segundo chama-se Football Botton Project, onde mostro a todos um dos meus passatempos prediletos, que é a confecção artesanal de escudos para futebol de botão. Aos poucos irei dando exemplos e detalhes de como realizo essas produções.
Divulgado, estão todos super convidados.

Kamen Rider (1971)

Quando começou, o criador Shitaro Ishinomori talvez não imaginou o tamanho e a importância cultural que a saga Kamen Rider conseguiu ao longo do reinado de dois imperadores. Por isso é muito interessante conhecermos o primeiro deles, o de 1971. Com uma história até certo ponto avançada para a época, a série pioneira durou dois anos! Achei parecida com o enredo do Black, ou ao menos a lembrança é sentida. Nesta versão, o fotógrafo Hayato, irmão do futuro herói Takeshi Hongo, escapa de uma operação levada a cabo pela organização do mal Shocker, que o transforma no homem-gafanhoto. Este porém é descrito aqui como um ciborgue. Apesar de ser transformado, Hongo consegue escapar ao menos da temida lavagem cerebral que lhe privaria da memória e combater a organização Shocker com seus planos malignos. Quando Hayato é enfim capturado (e também transformado, em Kamen Rider 2), é salvo pelo seu irmão, Kamen Rider 1. Deste modo ambos os Kamen Rider combaterão a Shocker, depois fortalecida por um novo grupo do mal, o Geldan. Os dois grupos, após fusão, passam a se chamar Gel-Shocker.
A simplicidade em alguns pontos é óbvia e esperada, como por exemplo na destruição do monstros. Enquanto hoje vemos explosões cada vez mais potentes e convincentes pelos efeitos especiais, na época eles sequer explodiam. Por incrível que possa parecer, dissolviam-se virando uma espécie de espuma, provavelmente produzida com sabão. O vídeo também demonstra bem como era o tokusatsu na década de 1970, quando ainda não era febre no Brasil.









quarta-feira, 22 de julho de 2009

Hadashi no Gen

Em quatro volumes, Hadashi no Gen, que no Brasil foi traduzido para Gen Pés Descalços é um dos mangás de maior importância histórica para os dias de hoje. Escrito por Keiji Nakazawa, narra nada menos do que as peculiaridades de quem vivenciou o antes e o depois da bomba atômica em Hiroshima. Na visão especial de um sobrevivente, Nakazawa disse ter usado o menino Gen, protagonista da história, como o seu alter-ego, para assim expor de uma forma mais direta ao público como foi e o que era, exatamente, viver naquele estado de penúria que a Segunda Guerra Mundial trouxe para o Japão.
O mangá mostra, sem nenhum sinal de enrolação ao leitor, a saga do menino Gen antes e depois da Guerra no Japão, contra os inimigos Grã-Bretanha, EUA e Rússia. O pai de Gen, servidor do exército, é acusado de traidor pela sua opinião contra a guerra, chegando a ser preso e torturado. Os irmãos dividem-se melancolicamente: um vai ao campo de batalha, um outro foge com os grupos de evacuação para regiões livres dos cada vez mais constantes ataques aéreos, que enclausurava as pessoas em suas próprias casas e em abrigos. A mãe, como única sobrevivente da família após a bomba, desdobra-se para o sustento do filho Gen, do recém-nascido nas ruínas e de si própria. O próprio Gen, ainda bastante garoto, procura trabalho, e acaba cuidando de uma vítima da bomba. Com isso, consegue despertar consciência e esperança no doente.
É impressionante perceber através das páginas de Gen o quanto a Guerra contaminou o orgulho dos governantes japoneses, que só cantavam vitória a todo instante ("o Japão vencerá porque é um país sagrado"; ou "os inimigos ingleses e americanos são demônios" são algumas das frases do mangá), e ainda faziam vistas grossas à sua própria gente, classificando qualquer ato suspeito como traição ao Imperador. Apenas as famílias mais abastadas podiam comer o alimento mais sofisticado da época da guerra: arroz. Mesmo assim, há cenas comoventes que relatam desde uma humilhação gratuita até uma disputa de sangue por uma batata.


Com a experiência que só uma pessoa experimentada pode ter, Nakazawa consegue conduzir a história de um modo talvez impossível para um ocidental, já que chega mesmo a bons momentos de humor ante toda a tragédia, incluída aí a situação de muitas vítimas da bomba, caminhando sem rumo ante ruínas, com a pele do corpo derretida. Outro mérito de Nakazawa é o reconhecimento de que a situação é irreversível, portanto procura com isso fazer o leitor crer na esperança à todo custo, do próximo ou dele mesmo.
Gen deve ser, por consenso, o melhor retrato do fim da Segunda Guerra, escrito meio século depois. Seus contos diversos, narrados nas entrelinhas, mostram a Hiroshima que nenhum ocidental poderia imaginar, por mais sonhador que fosse. E o poder dessa reflexão encontra-se nos detalhes: uma população que só acha consolo num bebê. Um homem abandonado dentro da própria casa pela família que inoja sua situação, como um ser em decomposição. Um soldado americano que tenta comprar afeição de crianças com gomas de mascar, algo que elas nunca viram até então. Ou ainda uma garota que sonha ter preservado intacta sua face para um dia poder realizar o sonho de ser bailarina. Na versão brasileira, o mangá ainda foi editado no sistema ocidental de quadrinhos, o que é um convite àqueles enjoados que não apreciam ler da direta para a esquerda.


Leitura obrigatória para todos, mostra o Japão alucinado do início da Era Showa, e serve principalmente para reconhecermos o Japão sereno de hoje. Um país que tanto soube perdoar a ponto de considerar seus algozes atuais aliados. E soube perdoar até quem lhes mostrou a maior destruição já causada por uma guerra na história do mundo.