quinta-feira, 23 de maio de 2013

Haruka Tomatsu, uma artista de múltiplos talentos em Kyoryuger

Abrir espaço para novos talentos sempre foi algo essencial a qualquer série Super Sentai feita até hoje. Sabe-se porém que Kyoryuger, como poucos de seus antecessores, já nasceu com a missão primordial de zelar pela estabilidade e por tudo que o gênero conquistou até aqui. Desse modo, recorrer à artistas já consagrados tem sido um dos meios encontrados pela produção para cumprir a meta. Unanimidades em simpatia como Ayumi Kinoshita, veteranos com currículos de alto respeito como Junichi Haruta e até rumores estimulantes, como o que promete a entrada de Nao Nagasawa no time futuramente vêm provocando brilho nos olhos de todos nós, tokufãs já habituados com esse universo. 
Meio curioso que, em meio a todas essas feras, uma menina sem qualquer envolvimento anterior com tokusatsu vem sendo uma das principais a chamar a atenção_ não só a minha, mas de boa parte do público japonês, como andei constatando: Haruka Tomatsu já é uma artista bem conhecida e prolífica aos 23 anos, seja como dubladora, cantora ou como atriz. Para compor sua personagem Canderilla na série Haruka já usou, em apenas três meses, todos esses talentos, fazendo a voz da vilã, cantando seu tema e interpretando-a em sua forma humana. No meu ponto de vista, ela já tem de tudo para decolar como um fenômeno, similar ao que aconteceu com Ayame Misaki no ano passado. Óbvio que para superar Ayame em popularidade ao redor do mundo, Haruka precisaria de espaço para aparecer mais em Kyoryuger. Até o dia de hoje ainda não se sabe o quão frequentemente veremos o seu rosto na telinha. E, apesar de já estar causando bastante furor no Japão, isso pode pesar um pouco entre o público de outros países que ainda não conhecem o trabalho diversificado dela.

Tudo isso fica ainda mais interessante quando nos focamos em observar o lado cantora da Haruka. Na maioria dos casos até hoje, gêneros como o Super Sentai costumam primeiro projetar a atriz para só depois impulsioná-la para o mercado fonográfico_ ou, em última instância, projetar tal habilidade de cantora na atriz em função da própria série em que ela atua. Temos exemplos disso desde épocas já remotas, casos de Megumi Ogawa (que cantou seu próprio tema em Goggle V) e Sayoko Hagiwara (que gravou uma versão alternativa à de MoJo para "Yume wo Kanaete", tema de encerramento de Dynaman), passando por Megumi Mori, Natsuki Takahashi, Atsuko Kurusu, até chegar a tempos mais recentes com Nao Nagasawa e Ayumi Kinoshita. 
Ao contrário de todas essas, Haruka Tomatsu entrou em Kyoryuger já reconhecida de antemão como uma cantora de sucesso há pelo menos três ou quatro anos. Seu primeiro single, "Naissance" (2008), é um trabalho mais voltado para a busca de pureza melódica, e que se preocupa quase que exclusivamente com isso. Mas, menos de dois meses depois desse lançamento, o próximo single da lista "Motto Hade Ni De" (2008) já a revela melhor como promessa, gerando um vídeo clipe irrepreensível (que parece fazer jus a um termo difundido no mundo otaku que diz que "fofura também é cultura"), ao mesmo tempo que cativa imensamente qualquer um que ainda não conheça a cantora.


Analisando essa canção em especial, lembro como foi principalmente através dela que eu me impressionei com a potência da voz da Haruka e com sua desenvoltura em momentos que, musicalmente falando, chamaríamos de "críticos"_ como por exemplo o que existe na metade do refrão, onde há uma tensão acumulada logo seguida por um relaxamento de longa duração. Tentando me explicar de outro modo, eu diria que Haruka-chan tem uma voz com um timbre alto, mas que não perde a força nem mesmo quando sobe subitamente para alguma nota aguda e depois ainda precisa de fôlego por algum tempo, para completar a estrofe. Característica assim deve ser fundamental para ajudá-la a dar vida para uma vilã coberta em êxtase, como é o caso da Canderilla.


Se é capaz de sempre manter a ternura, como se vê em vários outros trabalhos à frente desse, como "Baby, Baby Love" (2010), Haruka também se dá bem quando opta por assumir uma postura mais séria de artista pop, ou seja, mais aos moldes ocidentais. É o que vemos em músicas como "Oh, My God" (2011), que além de certamente contribuir para sua maturidade como performer em um futuro próximo, ainda pode lhe dar alguma experiência de como se comportar caso sua personagem venha a ter algum momento mais tenso lutando contra os Kyoryuger. Afinal, por mais doce que o sorriso de Ayame Misaki possa parecer hoje aos olhos dos tokufãs pelo planeta, todos se lembram muito bem como sua personagem Escape jamais pegava leve com o Ryuji e com os demais Gobusters, enquanto que Canderilla foi previamente criada como Amazona da Alegria da Devos, e usa esse sentimento bastante peculiar (para não dizer contraditório) como combustível de suas maldades.


Mesmo com essas diferenças entre suas personagens, Ayame e Haruka têm um notável ponto em comum, que é seguir uma tendência apresentada pelos Super Sentais desde o meio da última década, em que garotas acima dos 20 anos e já com alguma experiência mais sólida no meio artístico (geralmente vindas de algum papel em doramas) são recrutadas para compor personagens alheios às das heroínas principais. Os últimos anos já nos mostraram algumas atrizes mais jovens como heropinas principais, exemplos de Mao Ichimichi (que interpretou a Gokai Yellow de Gokaiger com 19 anos) e Arisa Komiya (que fez sua Yellow Buster com 18), enquanto que em Kyoryuger estamos vendo a única guerreira feminina da equipe ser vivida por Ayuri Konno, que surpreendeu ainda mais que as antecessoras citadas aqui por ter apenas 16 anos (e completados neste próprio 2013!).


Comparações à parte, Haruka-chan tem de tudo para ser única através desta sua atual experiência em Kyoryuger. A mim, pessoalmente, ela já cativou bem mais do que Ayame Misaki. Como artista, parece não lhe faltar atributo nenhum, além de que parece bem evidente como ela já conseguiu mostrar do que é capaz na série, pelo que participou até aqui. Acredito que muitos, assim como eu, também já estão na torcida para que Haruka-chan conquiste um espaço cada vez maior para aparecer nos próximos episódios do Sentai, deixando para o futuro um forte rastro de simpatia e graciosidade na memória de todos nós.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Kamen Rider Super-1

Já faz algum tempo_ meses atrás, para ser mais específico_ que eu venho devendo uma resenha sobre um Kamen Rider antigo, desses da Era Showa, de antes do nosso Black. Recebi pedidos a respeito, e considerando que poucos desses Riders têm episódios a disponibilidade do público brasileiro (e como consequência disso, também muito pouca informação, até mesmo em veículos grandes, como a Wikipedia), acho que sempre vale a pena o blog investir mais neles, usando como referência principalmente o que eu absorvi dos vários episódios em inglês que assisti em outras épocas.
Kamen Rider Super-1 é um dos meus favoritíssimos, algo que confesso ter pesado um pouco para que ele fosse o escolhido da vez. Os projetos recentes de legendagem da série que conheço, tanto nacionais quanto estrangeiros, estão já há muito tempo estagnados. Mas os poucos episódios disponíveis já dão uma noção básica de cerca da metade do que a produção apresenta. Exibida no Japão entre 1980/81, Super-1 se destacou por ser o primeiro Rider cujos principais poderes estavam nas mãos, e não nos pés_ mesmo com ele possuindo uma variedade de dez tipos diferentes de Rider Kicks. O momento máximo de cada uma de suas aventuras (ao lado de seu henshin deslumbrante) era o da Change Hand, algo que, como veremos adiante foi o primeiro sinal das futuras formas variáveis que Black RX iria trazer.

Tecnologia e dependência
Muito antes da chegada dos vilões de Dogma ao Japão, Kazuya Oki é um cientista que se oferece como cobaia de um importante projeto espacial. Liderados pelo professor Henry, uma equipe procura criar o astronauta perfeito, capaz de se defender dos perigos no espaço, auto-regular seu corpo em atmosferas instáveis, rastrear o que acontece em sua volta, etc. Esse projeto, batizado de Super-1, visava acima de tudo trazer benefícios à população da Terra, e talvez até vir a facilitar a vida do homem fora dela, num futuro próximo.

O experimento em Kazuya foi um sucesso completo. Seu corpo foi modificado a ponto de lhe garantir, além de uma nova forma ultra-resistente,a possibilidade de acesso às Five Hands, que davam a ele poderes através das mudanças de cor em suas mãos. É interessante notarmos que a intenção original por trás de cada um desses poderes era apenas facilitar o comportamento humano durante uma viagem espacial. Vejamos a seguir a descrição de cada uma das Five Hands:

Super Hand (Silver Hand/prata) -Parte de sua forma padrão, eram as mãos da força, capazes de dar fortes golpes, com impacto de 300 toneladas;
Power Hand (Red Hand/vermelha) - Permitiam levantar grandes pesos, de até 50 toneladas, com extrema facilidade;
Eleki Hand (Blue Hand/azul) - Capaz de gerar fortes correntes de energia elétrica que podiam ser disparadas contra o inimigo em forma de raio;
Reinetsu Hand (Green Hand/verde) - Mãos de dupla utilidade térmica; a direita era capaz de disparar jatos de fogo com altas temperaturas, e a esquerda fazia o reverso, disparando um jato de gás congelante;
Radar Hand (Gold Hand/dourada) - Mão com um foguete embutido, o Radar Eye, que quando disparado era capaz de rastrear um raio de 10 quilômetros ao redor do Super Rider;

Como foi dito antes, as Five Hands eram quase uma mudança de forma, já que garantiam novos poderes ao Rider, apesar de que o resto do seu corpo permanecesse com o mesmo aspecto. Bem podem ter sido elas a primeira raiz das formas alternativas de Black RX (que já eram mutações totais) e de muitas outras que seriam vistas nos Heisei.
De início, tanto a transformação de Kazuya em Super-1 quanto o acesso dele às Five Hands dependiam das máquinas do projeto espacial_ ou seja, ele era totalmente incapaz de se transformar ou de usar seus novos poderes sozinho! Pouco depois de fazer testes de habilidade para o programa, a invasão de Dogma teve início: um dos cientistas guiados pelo professor Henry era na verdade o monstro Fire Kong. Cientes do potencial que o experimento oferecia, tentaram convencer o professor e os demais a fazerem de Super-1 um instrumento bélico para as conquistas de Dogma. Num dos momentos mais tensos (não só do primeiro episódio, mas de toda a série), vemos Sakata, um dos assistentes do professor, destruindo a tiros as máquinas operatórias do programa espacial, depois de ter sido acuado por ameaças de morte que os vilões fizeram à sua família. Esse ato foi suficiente para impossibilitar Kazuya de se transformar em Super-1 e tentar conter o inimigo através da luta. Combatendo os soldados de Dogma e o forte monstro em sua simples forma humana, Kazuya não foi capaz de defender o professor Henry, que foi assassinado_ dando sequência a tradição dos heróis Kamen Riders que sempre perdem um parente ou mentor no episódio inicial, por obra do inimigo. Antes de morrer, no entanto, o professor deixou ao rapaz a inovadora moto V-Machine, e suplicou-o para que aprendesse a se transformar sozinho e lutasse pelo bem da humanidade.


Mas, por mais que se esforçasse, sempre com muito exercício físico, disciplina e dedicação integral, Kazuya não conseguia se transformar. Lembro como era algo comovente de se ver, o seu desespero por conseguir um resultado imediato, ante a urgência de combater o inimigo que já causava muita destruição pelos quatro cantos do Japão. Mas ainda demoraria um pouco mais para o nosso herói perceber que, numa situação daquelas, o desenvolvimento do corpo apenas não era o bastante.

A dupla face da força
Quando toda a base espacial foi finalmente destruída, com uma explosão em que fora atirado à quilômetros de distância, Kazuya conseguiu se transformar. Algo um tanto inusitado, mas isso não só garantiu a sua sobrevivência como também lhe forneceu uma pista do que precisaria para alcançar seu objetivo_ que era ter controle sobre sua própria mutação. Retirado em um templo, o jovem resolve aperfeiçoar ainda mais o seu corpo através das artes marciais. Orientado pelo mestre Genkai e na companhia de vários amigos, ele rapidamente desenvolve a técnica do Punho Shaolin_ algo bem próximo à arte do Sui Ken, um dos estilos mais letais e perigosos que se conhece, muito disso por ser quase impossível prever a condução de movimentos do oponente.

Pouco antes de passar em seu último teste para deixar o templo_ que consistiu em derrotar a todos os seus 100 amigos de uma vez em um treinamento, todos eles portadores de faixa-preta_, Kazuya ouviu da boca do mestre Genkai as palavras que seriam, a partir dali, o farol de sua jornada, e que ele se lembraria a cada vez que precisasse recorrer à seus poderes excepcionais. Palavras que, sem dúvida, formam o diálogo mais profundo e emocionante de toda a série:

Kazuya, você não deve se apressar. Ou então nunca poderá dominar a técnica do Punho Shaolin. Naquele dia, naquele mar de chamas [referência ao dia em que foi arremessado longe com a explosão da base espacial] (...), naquele momento, você foi capaz de se transformar porque sua mente estava vazia. Abandone todos os seus pensamentos, e deixe a energia fluir em seu corpo. A técnica do Punho Shaolin tem esse preceito: reunir toda sua força interior e transformá-la em força física. Quando você dominar essa técnica secreta, você será capaz de se transformar.


Com essas mesmas palavras, Kazuya ainda perceberia que tão fundamental quanto a força física era a força da mente. Tranquilidade de espírito, determinação. Através de valores como esses, o herói obteve todas as respostas que a avançada ciência espacial ficou lhe devendo. Pelo pleno domínio do Punho Shaolin, já executava não apenas sua transformação como também a Change Hand, momento que lhe permitia alcançar a habilidade que quisesse para suas mãos de variados poderes. Ainda sobre seu lindo henshin (que foi detalhado num Top Five que fiz aqui no ano passado), a coreografia deixa ainda mais evidente como a técnica ditava sua mutação: no movimento final, as mãos do herói se encontram exatamente na mesma posição que as dos discípulos de mestre Kame que aplicavam o famoso golpe "Kamehameha" em Dragon Ball.

A partir daí, fica bem visível que a história passa a dar uma ênfase maior para essa temática das artes marciais, mas haviam também alguns pontos importantes que não deixariam o espectador se esquecer do outro tema principal, focado nas origens espaciais de Super-1. O mais marcante deles estava na base secreta que Kazuya mantinha. Antes de sair para as batalhas pilotando sua V-Machine, o Super Rider sempre fazia um check-up completo através de um computador chamado Check Machine, que analisava o estado do mecanismo robótico de seu corpo, da cabeça aos pés. Era um dos momentos de maior suspense nos episódios da série (para provar também como essa qualidade não foi deixada de lado), já que sempre havia muita apreensão pelo "ok" do computador a cada exame. Através de mais essa herança do programa espacial era possível sabermos se Kazuya tinha o não sua condição de luta em 100%.

Novo império e reforços
Outra boa surpresa nessa série foram os atributos exibidos pela moto V-Machine, que a exemplo do que se via na Change Hand, também possuía variados modos de uso. Em seu estado primário, a V-Machine era uma moto grande, pesada, útil principalmente para patrulha normal. Já na forma V-Jet, a máquina revelava dois propulsores laterais, semelhantes a pequenas asas, que serviam para multiplicar sua velocidade, permitindo deslocamentos a níveis ultra-sônicos. Para concluir, havia ainda a Blue Version, cuja aerodinâmica mais leve era ideal para vencer terrenos off-road, além de ter sido também a forma mais usada nas batalhas sobre rodas.
Com instrumentos poderosos como esses, não demorou muito para que a ameaça de Dogma fosse derrubada. Sentindo-se já sem forças para contra-atacar, os vilões lançaram mão de suas últimas cartadas, em que tanto o General Megarl (comandante de guerra) quanto o grande líder Terror Macro assumiram suas formas monstruosas e confrontaram Super-1 abertamente.

Imediatamente após isso, surge um novo império maligno: Jin Dogma (a partir do episódio 24), que consegue reaproveitar parte da ciência de Dogma para se fortalecer. Como contraponto ao novo time de vilões, a série trás simultaneamente um importante reforço para Kazuya: trata-se de um grupo de patrulheiros-mirins, cuja missão é auxiliar Super-1 observando os passos de Jin Dogma e suas supostas ações. Essa patrulha-mirim, na realidade, não era a primeira. Em 1973, o herói Shiro Kazami/Kamen Rider V3 também contou com a ajuda de um grupo juvenil, exatamente nos mesmos moldes que este_ a Shonen Rider Tai, que nesta série Kamen Rider Super-1 seria rebatizada de Junior Rider Tai. E o Super Rider teria ainda mais reforços futuramente, com os oito Kamen Riders anteriores surgindo na trama e se juntando a ele na luta contra Jin Dogma.
Super-1 é, até hoje, o único Kamen Rider a ter tido uma relação estreita com as artes marciais do Oriente, com um mestre e com técnicas específicas de batalha. Mais surpreendente do que isso é o que se vê ao longo de toda a duração da série: dois temas um tanto diferentes (artes marciais e tecnologia espacial) coexistindo, caminhando juntos com que de mãos dadas, sem qualquer incômodo, talvez a qualidade maior vista neste maravilhoso seriado.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Crítica do "Uchuu Keiji Gyaban - The Movie"

Chegaram para os tokufãs brasileiros as primeiras cópias do Uchuu Keiji Gyaban - The Movie legendadas pelos nossos fansubs. À exemplo do que eu fiz em novembro passado com o filme do Super Hero Taisen, vou deixando minha visão por aqui.
Eu lembro que na época da estreia desta produção nos cinemas japoneses, em outubro de 2012, muitos fãs brasileiros criaram expectativas enormes, algumas maiores até do que em relação ao Super Hero Taisen. Minhas expectativas pessoais, apesar de não atingirem esse nível, também eram significativas, e de tudo o que eu conferi posso afirmar que não houve nada no filme que me decepcionou à ponto de eu deixar de recomendá-lo por aqui.
Desde muito antes eu já vinha entendendo esta produção mais como um investimento da produtora (e criadora) Toei para testar a popularidade do gênero Metal Hero nos dias atuais, assim como para observar sua aceitação pela geração de hoje. Dependendo de tais resultados, poderiam concluir se vale ou não a pena investir futuramente (e ainda mais) na revitalização de uma marca fora de uso desde 1998.
Não é a primeira vez que isso acontece. No início de 2012 o Uchuu Keiji Gyaban legítimo reapareceu ao lado do Super Sentai Gokaiger num ótimo filme. Naquela ocasião, o ator Kenji Ohba (originário da série clássica de 1982) reviveu seu personagem Retsu Ichijoji. Algum tempo depois foi anunciado que o ator Yuma Ishigaki seria o novo Gyaban para este filme, que daria continuidade às comemorações dos trinta anos da série do Gyaban lendário. Coube à ele também o papel do herói prateado naquela que foi a maior propaganda que a produção teve, com seus protagonistas figurando ao longo do episódio 32 de Gobusters. Tanto quanto o “The Movie”, esse episódio deu várias demonstrações de como o gênero seria trabalhado se estivesse vivo atualmente.

Tais demonstrações, porém, não podem evidenciar de fato o que seria realmente termos uma série de Metal Hero nos dias de hoje. Primeiro porque quase tudo que foi investido nessa ressurreição do Gyaban foi fortemente baseado em suas raízes originais. O que vemos nestes casos, na verdade, são releituras de um grande sucesso, feitas com muito êxito e responsabilidade, mas que não chegam a serem suficientes para nos mostrar em 100% como se desenrolaria um seriado atual do gênero. Para isso precisaríamos observar algumas tendências que, acredito eu, só mesmo uma série poderia desenvolver_ tendências essas que incluem desde a construção da personalidade dos protagonistas até a criação de fantasias originais, costumes inovadores, etc. Já no que se refere à dinâmica da ação e efeitos especiais, estes trabalhos recentes indicam com segurança o caminho que tais séries seguiriam, pelo menos por hora. Optando por proceder dessa maneira,  o filme atinge principalmente fãs saudosos, mas também os que apenas conhecem a história antiga e desejam uma amostra atual daquilo que nunca vivenciaram de fato.

A experiência como forma de garantia
Mesmo não tendo feito um sucesso estrondoso nas salas de cinema japonesas, deu para mim concluir que este filme do Gyaban alcançou bem seu objetivo, partindo do caminho pelo qual optou apostar. O foco da história sempre busca algo mais voltado ao drama, tal como ele existe na série clássica, mostrando desde o início a relação afetuosa entre os amigos Geki Jimonji (Gyaban), Toya Okuma e Itsuki Kawai. Suas vidas tomam rumos inesperados após uma missão espacial da qual Geki e Toya são incumbidos, o suficiente para gerar certos conflitos que conduzirão todo o restante da trama até o seu ápice final.

O roteiro é simples, e passa longe das complicações vistas no Super Hero Taisen. Por esse motivo ele me agradou bastante no geral, mesmo reconhecendo que o drama entre os amigos não causa o mesmo impacto do que o vivido por Retsu com seu pai Boser na produção de 30 anos atrás.
Outra qualidade que observei deste roteiro é como ele facilita a introdução tanto dos personagens antigos quanto dos costumes tradicionais conhecidos dos Uchuu Keiji, mesmo nesta época já tão distante dos anos 80. Até como uma garantia aos saudosistas, o elenco contou com a participação de vários atores importantes. Além de Kenji Ohba_ que surge imponente aos 45 minutos de filme detonando na ação, numa sequência emocionante_ outro veterano a brilhar foi Toshiaki Nishizawa, mais uma vez vestindo a pele do Comandante Kom, tal como em 1982.
Outras estrelas da história recente do tokusatsu reafirmaram suas capacidades artísticas neste filme: Kai Hyuga, o Gou Fukami/Geki Violet de Gekiranger (2007) fez o novo Sharivan, e Hiroaki Iwanaga (conhecido anteriormente pelo seu papel de Akira Date/Kamen Rider Birth na série Kamen Rider OOO, de 2010/11) surgiu como o novo Shaider. No lado feminino, a atriz Yukari Taki, cujos fãs relembram pelo papel de Aoi Katsuragi no filme Kamen Rider W Returns: Kamen Rider Accel viveu desta vez a heroína Itsuki Kawai, enquanto que a ex-Shinken Yellow Suzuka Morita (do Samurai Sentai Shinkenger, de 2009) foi novamente a "Mimi do século XXI", a meiga Shelly, após participar também daquele episódio de Gobusters já citado aqui.

Gyaban é pop
Destaque também para a reconstrução no núcleo da Organização Makku. Desde o monstro Zan Vardo (releitura de San Dorba), primeiro rival a ser derrotado pelo herói no filme, passando pelo seguinte Lizzard Doubler (representante da tradição dos perigosos monstros Doubler da série de 1982, que sempre tinham sua força duplicada dentro da Dimensão de Makku) até a Bruxa Kill (versão renovada da Bruxa Kiba, vilã que surge no episódio 30 da série clássica). Comandados pelo recém-chegado Brighton_ um vilão claramente substituto do posto que pertenceu ao Caçador Maligno dos anos 80, já que o drama notado em ambas as identidades é praticamente idêntico_, eles buscam trazer de volta o temível Don Horror para dominar o universo, através de experimentos que alterariam a relação tempo/espaço, fazendo-o assim renascer da época de sua destruição pelo primeiro Gyaban.

O clima de flashback se estende ainda mais além e alcança a famosa trilha sonora de Akira Kushida, presente novamente tanto na versão já conhecida do tema original quanto em outra mais repaginada. Quando usada nas cenas da luta espacial do novo Gyaban, próximo ao final do filme, tal trilha soa bastante pop, e a sequência de ação idem, construída com muita fidelidade ao que quase todos os capítulos da série oitentista repetiam exaustivamente. Pincelada pela tecnologia atual, tal sequência ganhou em velocidade e até em realismo, um tipo de experiência que certamente ajuda a desenvolver o alcance dos efeitos CGI atuais do mesmo modo que os episódios de 1982 ajudaram a desenvolver a película. O maravilhoso Denji Seijuu Doru foi de longe o mais beneficiado pela edição final dessa parte da produção.
Este novo filme do Gyaban com certeza me deixará recordações muito boas, tanto quanto as que ainda guardo do crossover anterior com os Gokaiger. Este ano de 2013 promete ainda mais, uma vez que já surgiram evidências da participação dos Metal Heroes no próximo Super Hero Taisen, desta vez em companhia de Riders e Sentais. Fotos de revistas japonesas já exibem imagens excitantes, como um instante de luta envolvendo Gyaban e o atual Kamen Rider Wizard, enquanto que outras insinuam a presença de todos os demais guerreiros do gênero de Jaspion, Jiraiya e outros heróis que já fizeram muito sucesso aqui no Brasil.

Confira o álbum complementar com 115 fotos do filme na Fan Page do Henshin World no Facebook.
O site do Anime Yokai está disponibilizando também um vídeo com o filme, para quem gosta de uma opção online para assistir. LINK